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Mulheres em ascensão no metal e suas vertentes em 2026



O metal sempre foi considerado um espaço predominantemente masculino, onde a força sonora e a energia nas apresentações eram encaradas como partes de uma masculinidade que não precisava ser questionada, mas a virada dos anos 2020 trouxe uma mudança que não pode mais ser ignorada: mulheres estão redefinindo o que o metal pode ser e quebrando as regras que nunca fizeram sentido desde o início.


A participação de mulheres no metal não é algo totalmente novo. Nos anos 1970, bandas como Girlschool e The Runaways já mostravam que as mulheres tinham talento e podiam tocar tão bem quanto os homens. No entanto, foi mesmo nos anos 2000 que Angela Gossow do Arch Enemy mudou o cenário de verdade.


Quando ela entrou para a banda sueca em 2001, Gossow abriu portas que antes pareciam trancadas a sete chaves. Serena Cherry do Svalbard declarou que ver Angela no palco mudou sua vida para sempre, e ela não estava sozinha, uma geração inteira de vocalistas femininas do death metal existe porque Angela mostrou que era possível.


Nos anos 2010 vieram as rainhas do metal sinfônico como Floor Jansen do Nightwish e Simone Simons do Epica, mostrando que técnica vocal operística podia conviver perfeitamente com riffs pesados e baterias duplas, mas foi nessa década de 2020 que algo diferente começou a acontecer. 


O metal deixou de ser como um clube de garotos e passou a ser um movimento onde mulheres realmente lideram a conversa. 


O termo "girlie pop metal" começou a circular nas redes sociais, playlists no Spotify e Apple Music se multiplicaram com subgêneros variados, e o TikTok viu coreografias sendo criadas para músicas de Korn e Slipknot, transformando algo que antes era visto como exclusivamente masculino em algo que mulheres abraçam sem pedir licença.



Em 2026 o cenário está completamente diferente: Emily Armstrong assumiu o vocal do Linkin Park em setembro de 2024 substituindo Chester Bennington em um dos desafios mais impossíveis da história do rock, e o álbum "From Zero" provou que ela não estava tentando copiar ninguém, estava trazendo sua própria identidade.


A turnê mundial que ela está liderando inclui festivais gigantes como Rock am Ring e Rock in Rio Lisboa, e sua capacidade de transitar entre vocais melódicos e guturais conquistou milhões de fãs que entenderam que o Linkin Park não acabou, apenas se transformou, literalmente, do zero.


Courtney LaPlante do Spiritbox também é outra gigante que não passa despercebida, sua versatilidade vocal que vai de passagens etéreas a breakdowns incríveis fez do Spiritbox uma das bandas mais importantes do metal progressivo atual, o álbum "Tsunami Sea" consolidou a banda como referência e a participação dela na faixa "End of You" ao lado de Amy Lee e Poppy foi um marco que celebrou a diversidade do metal feminino. 


A música estreou em primeiro lugar na parada Billboard Hot Hard Rock Songs e os fãs imediatamente pediram um álbum colaborativo das três.



E falando em Amy Lee, a rainha organizou uma turnê mundial exclusiva com bandas lideradas por mulheres incluindo Spiritbox, Poppy, Nova Twins e K.Flay, a decisão veio depois das colaborações recentes e ela explicou que queria criar um espaço onde todas pudessem dividir o palco, uma forma de celebrar o que cada uma representa no metal contemporâneo e mostrar que a diversidade sonora é um patrimônio. 


Amy também está produzindo um novo álbum do Evanescence que promete abordar temas urgentes do mundo atual sem perder a essência gótica que sempre definiu a banda.


Em seguida temos Tatiana Shmayluk, do Jinjer, que carrega uma história um tanto quanto pesada.


 Ela deixou a Ucrânia por causa da guerra e hoje vive na Califórnia, e essa dor permeia o álbum "Duél" lançado em fevereiro de 2025. 


Tatiana já se manifestou publicamente contra o termo "banda com vocal feminino", argumentando que é redutor e a coloca em comparações injustas com artistas que não têm nada a ver com o som da banda, ela deixou claro que suas influências vocais sempre foram masculinas, especialmente Randy Blythe do Lamb of God e sua técnica que vai do growl devastador aos vocais limpos angelicais faz dela uma das artistas mais respeitadas do metal extremo.



E é do Brasil também! A brasileira Prika Amaral da banda Nervosa está fazendo história ao levar o thrash metal brasileiro para o mundo. A banda comemorou 15 anos de carreira em 2025 e se tornou a primeira banda de metal formada exclusivamente por mulheres a tocar na China.


Prika assumiu os vocais em 2023 depois de anos apenas na guitarra e a transição trouxe uma nova energia para o grupo que hoje tem formação internacional, o álbum "Slave Machine" está programado para abril de 2026 e promete manter viva a chama do thrash mais visceral.


Dando sequência, outro nome em destaque é o de Alissa White-Gluz, que saiu do Arch Enemy em novembro de 2025 após 12 anos para focar em sua carreira solo sob o nome artístico ALISSA. 


O single "The Room Where She Died" mostrou que ela está explorando territórios musicais que ficaram dormentes durante anos, ela foi pioneira ao provar que mulheres podem dominar os vocais guturais do death metal com a mesma intensidade que seus pares masculinos, e foi justamente Angela Gossow quem a recomendou como sua substituta no Arch Enemy em 2014, criando uma linhagem de vocalistas femininas que continua inspirando novas gerações.


E falando em divas que saíram de suas bandas para explorar o solo, Simone Simons do Epica lançou seu primeiro álbum solo "Vermillion" em agosto de 2024 em colaboração com Arjen Lucassen do Ayreon, um projeto que estava 15 anos em produção. 


O álbum explora territórios que vão do prog rock ao metal industrial com elementos eletrônicos, incluindo colaboração com Alissa White-Gluz na faixa "Cradle to the Grave", em 2026 ela está preparando a turnê "Arcane Dimensions" com o Epica ao lado do Amaranthe para divulgar o novo álbum "Aspiral" lançado em abril de 2025.



Agora uma de nossas favoritas, Floor Jansen do Nightwish está aproveitando a pausa da banda para trabalhar em seu segundo álbum solo, ela já confirmou que tem material escrito e está colaborando com diversos artistas, Floor lançou seu primeiro álbum solo "Paragon" em 2023 e deixou claro que nunca deixaria o Nightwish, mas que a carreira solo permite explorar territórios musicais diferentes do metal e rock que já faz há mais de 20 anos, sua técnica vocal e presença de palco a tornaram uma das vocalistas mais respeitadas do metal sinfônico mundial.


Além dela, Lzzy Hale do Halestorm lançou o álbum "Everest" em agosto de 2025 e teve um ano histórico que incluiu abertura para Iron Maiden e participação no "Back to the Beginning", o último show do Black Sabbath e Ozzy Osbourne, sendo a única mulher convidada para o evento. 


Lzzy foi nomeada primeira embaixadora feminina da Gibson e em 2026 está fazendo turnês acústicas intimistas com o guitarrista Joe Hottinger além dos shows massivos do Halestorm em festivais como Download e Sonic Temple.



De youtuber para uma das vozes mais queridas do metal atual, Poppy começou na música pop e se reinventou completamente no metal, silenciando os céticos com apresentações viscerais. 


Sua performance no Hellfest 2025 conquistou até os mais desconfiados e a participação em "End of You" com Amy Lee e Courtney LaPlante mostrou que ela merece estar entre as grandes, Poppy mistura melodias açucaradas com screams dilacerantes de forma inquietante e única, criando uma estética visual e sonora que desafia todas as expectativas do que uma artista de metal deveria ser.


Maria Brink do In This Moment também continua sendo uma das presenças de palco mais teatrais e poderosas do metal moderno, conhecida por performances que misturam elementos visuais intensos com um som pesado que transita entre metal industrial e hard rock. 


Maria é uma veterana que segue relevante e influente, inspirando uma nova geração de artistas femininas a abraçarem a teatralidade e a feminilidade sem medo de serem julgadas.


Assim como Candace Kucsulain do Walls of Jericho trouxe energia pura e raiva política para o Hellfest 2025, o set da banda foi descrito como "fúria e libertação". 


Candace é uma presença magnética que mostra que o hardcore e o metalcore feminino têm força e convicção para competir com qualquer banda do cenário, sua autenticidade e intensidade são inegáveis.


Mercedes Lander e Morgan Lander do Kittie também são lendas vivas do metal feminino, a banda toda é composta por mulheres e cada integrante traz intensidade real para o palco, as letras abordam temas como abuso e resiliência com convicção verdadeira, e a apresentação no Hellfest 2025 mostrou que veteranas sabem exatamente o que estão fazendo, a presença de palco da baixista com seus cabelos épicos e flips de cabeça viraram destaque entre os fãs.



E por último mas jamais menos importante, Vicky Psarakis está liderando sua nova banda que faz a ponte entre nu-metal e hard rock teatral, o álbum "Cross Me Twice" lançado em 2025, que já chamou atenção pela energia e vocais dinâmicos que alternam entre limpos e guturais, e produção de alto nível.


Ela não tem medo de pegar pesado tanto sonoramente quanto tematicamente e representa uma nova onda de vocalistas que abraçam múltiplas facetas vocais sem se limitar a um único estilo.



Esse movimento apesar de atual não aconteceu do nada, foi construído ao longo de décadas por mulheres que se recusaram a aceitar que o metal pertencia aos homens. 



Desde as pioneiras dos anos 1970 até os anos 2020, cada geração abriu portas para a próxima, mas o que torna 2026 especial é que mulheres não estão mais pedindo permissão ou justificando sua presença, estão liderando turnês mundiais, liderando festivais, colaborando entre si e criando uma rede de apoio que antes não existia.




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